Alcione lança single ‘Marabaixo: Tradição do Amapá’ em parceria com artistas locais

Convidada pelo Governo do Amapá, Alcione gravou o single “Marabaixo: Tradição do Amapá”, um medley que reúne algumas das canções mais representativas da cultura afro-amapaense. O projeto foi desenvolvido em parceria com artistas locais e tem como proposta valorizar a ancestralidade, a identidade e a resistência do povo tucuju.
Foto: Matheus Porto
Foto: Matheus Porto

A escolha da “Marrom” se deu por sua profunda ligação com os ritmos do Norte e Nordeste, sempre presentes em sua trajetória musical. Ao longo da carreira, Alcione já registrou forró, xote, baião, maracatu e diversas toadas de bumba meu boi, demonstrando afinidade com expressões culturais de diferentes regiões do país.

O lançamento também dialoga com o anúncio da escola de samba Mangueira, que em 2026 homenageará o Amapá com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra”, exaltando a sabedoria ancestral amazônica. Nesse contexto, a artista se consolida como voz potente para difundir a cultura amapaense em âmbito nacional.

Marabaixo: resistência e identidade

O Marabaixo é uma manifestação cultural afro-brasileira do Amapá, reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. A celebração reúne dança, música, ritos do catolicismo popular e herança africana, preservando saberes tradicionais transmitidos ao longo de gerações.

Originado a partir da vivência de negros escravizados trazidos à Amazônia, o marabaixo nasceu entre o lamento e a resistência. De acordo com narrativas históricas, o nome faz referência à expressão “mar acima, mar abaixo”, evocando o balanço dos navios negreiros durante a diáspora africana. Nos barracões do Amapá, a dança acontece em rodas no sentido anti-horário, com passos arrastados que simbolizam a memória dos pés acorrentados.

Atualmente, essa herança cultural se renova a cada Ciclo do Marabaixo, evento que une o sagrado, a tradição e a convivência comunitária. A manifestação também ganhou visibilidade nacional com o documentário “Amazônia Negra: Expedição Amapá”, exibido nos canais Bis e GloboNews e disponível no Globoplay.

Foto: Matheus Porto
Foto: Matheus Porto

O single

O pot-pourri “Marabaixo: Tradição do Amapá” reúne composições de autores consagrados e cantos de domínio público. Entre os destaques está Joãozinho Gomes, um dos principais compositores do estado e coautor do samba-enredo da Mangueira para 2026.

Com produção musical e arranjos do músico amapaense Alan Gomes, o single traz a sonoridade autêntica da caixa de marabaixo, executada por Nena Silva, representante do quilombo do Curiaú. A gravação ocorreu no estúdio Play Record, no Rio de Janeiro, com direção musical de Alexandre Menezes e Alan Gomes. A mixagem e a masterização ficaram a cargo de Vanios Marques.

O coro conta com Silmara Lobato e a participação de herdeiros da tradição marabaixeira: Cleane Ramos, Danniela Ramos, Julião do Laguinho e Lorrany Mendes, reforçando o elo entre passado, presente e futuro da cultura afro-amapaense.

Faixas do single

  • Música incidental: A beleza da arte que emana (Enrico Di Miceli/Joãozinho Gomes)
  • Mão de Couro (Val Milhomem/Joãozinho Gomes)
  • Ladrões de marabaixo: Aonde tu vai, rapaz? (Raimundo Ladislau – domínio público)
  • Rosa Branca Açucena (tradicional – domínio público)
  • Meu Sarilho é dobrador (tradicional – domínio público)
  • Vaca Malhada (tradicional – domínio público)
  • No Marabaixo é Assim (Wendel Uchôa/Marcus Paes)
  • O Meu Quilombo (Adelson Preto)
  • Eu Caio, Eu Caio (tradicional – domínio público)

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