O desfile apresentou rituais, plantas medicinais, ancestralidade e espiritualidade, reposicionando a Amazônia não como cenário distante, mas como território vivo, negro e criador. Um dos momentos mais marcantes foi a fusão do samba com o batuque do marabaixo, que ecoou na avenida como afirmação da identidade cultural tucuju. Em um dos carros alegóricos, a imagem de Mestre Sacaca ganhou destaque, acompanhada por cerca de 50 familiares, em uma cena de forte emoção e representatividade. Com o enredo, a escola busca o 21º título do Grupo Especial.

Enquanto a Mangueira desfilava no Rio, em Macapá, o povo acompanhava tudo em tempo real. No embalo do Carnaval do Povo, a Praça da Bandeira permaneceu lotada até quase o amanhecer, com centenas de pessoas assistindo ao desfile em um telão de LED instalado pelo Governo do Amapá. Nem a chuva afastou o público, que vibrou, cantou e se emocionou a cada setor apresentado.
O enredo destacou Mestre Sacaca como curandeiro, defensor dos povos da floresta e guardião do conhecimento ancestral, símbolo da união entre a medicina tradicional, a espiritualidade e a resistência cultural dos povos negros e afro-indígenas da Amazônia. A narrativa exaltou a importância dessas populações na formação da identidade brasileira.

Entre os que acompanharam a transmissão na praça estavam o governador Clécio Luís e o senador Davi Alcolumbre, ao lado da população.
“O Amapá, o Rio de Janeiro e o Brasil pararam para ver a Estação Primeira de Mangueira passar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Foi um espetáculo da nossa terra, apresentado com orgulho para o país e para o mundo, levando símbolos da nossa identidade amazônica, da nossa cultura e da força do nosso povo à maior vitrine do carnaval brasileiro, representados pelo grande mestre Sacaca, que simboliza a sabedoria, a ancestralidade e a relação profunda do nosso povo com a floresta”, destacou Clécio Luís.





