Lei Maria da Penha chega aos 20 anos com avanços na proteção às mulheres e desafios no enfrentamento à violência

A Lei Maria da Penha completou 20 anos na sexta-feira (7), consolidada como uma das principais ferramentas de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. Em vigor desde 7 de agosto de 2006, a legislação ampliou mecanismos de prevenção, proteção das vítimas e responsabilização dos agressores.
Foto: Sejuf/PR
Foto: Sejuf/PR

Para a chefe da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher do Distrito Federal, Adriana Romana, a lei representa um marco para a atuação da Justiça e dos órgãos de segurança pública, especialmente por fortalecer medidas de prevenção e proteção.

Entre os principais instrumentos estão as medidas protetivas de urgência, que permitem ações para preservar a segurança das vítimas e restringir a atuação dos agressores.

Subnotificação ainda é desafio

Apesar dos avanços, muitas mulheres ainda não procuram a polícia ou a Justiça. Segundo Adriana Romana, essa parcela representa uma espécie de “cifra oculta” da violência doméstica.

Em 2025, o Distrito Federal registrou 23 mil ocorrências oficiais de violência doméstica. Para a delegada, ampliar o acesso à informação e aos canais de denúncia é fundamental para alcançar mulheres que ainda não conseguem ou não se sentem seguras para pedir ajuda.

Os principais canais são:

  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher;
  • 197: Polícia Civil dos estados.

Origem da Lei Maria da Penha

A legislação teve origem no Projeto de Lei 4559/04, apresentado após o Brasil ser responsabilizado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) por omissão no combate à violência contra a mulher.

Maria da Penha (C) em Sessão Solene do Congresso Nacional em 2016 - Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Maria da Penha (C) em Sessão Solene do Congresso Nacional em 2016 – Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

A lei recebeu o nome de Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica cearense que ficou paraplégica após sofrer agressões do marido e sobreviver a duas tentativas de homicídio.

Durante uma sessão solene do Congresso Nacional, em 2016, Maria da Penha destacou a importância da educação para combater a naturalização da violência dentro das famílias.

Em 2025, a Lei 15.212/25 incorporou oficialmente o nome Maria da Penha ao texto da legislação.

Legislação inspirou novas medidas

Ao longo dos anos, a Lei Maria da Penha também serviu de referência para a criação de outras normas de proteção às mulheres, entre elas a legislação que tipificou o feminicídio, em 2015, e as mudanças promovidas em 2024 nas regras relacionadas a esse crime.

A coordenadora da Secretaria da Mulher da Câmara, deputada Jack Rocha (PT-ES), destacou que a legislação abriu caminho para novas políticas e normas de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Após duas décadas, a Lei Maria da Penha permanece como uma das principais referências legais para prevenção, proteção e responsabilização em casos de violência doméstica e familiar.

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