MPF move ação para impedir exploração mineral na Flona do Amapá

O Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal para impedir a autorização de atividades de mineração na Floresta Nacional do Amapá. A medida foi ajuizada contra a Agência Nacional de Mineração e inclui pedido de tutela de urgência para suspender imediatamente processos minerários incidentes sobre a unidade de conservação.
Foto: Wirley Almeida / ICMBio
Foto: Wirley Almeida / ICMBio

Na ação, o MPF solicita que sejam interrompidas análises relacionadas à pesquisa mineral, permissão de lavra garimpeira e concessões de exploração na área protegida, além da suspensão das autorizações já concedidas. O órgão também pediu o bloqueio da Flona nos sistemas eletrônicos da ANM, como o Sigmine, para impedir a entrada de novos requerimentos minerários.

Segundo o Ministério Público, a investigação identificou processos minerários sobrepostos à unidade de conservação, incluindo pedidos ligados à Cooperativa de Garimpeiros do Vale do Capivara (Cogaca) e à empresa Sumitomo Metal Mining do Brasil Ltda.

O MPF argumenta que o plano de manejo da Flona do Amapá, aprovado em 2014, proíbe expressamente atividades de pesquisa e lavra mineral dentro da unidade, tornando incompatível qualquer autorização de mineração na região.

De acordo com o procurador da República João Pedro Becker Santos, autor da ação, permitir o avanço dos processos minerários em uma área protegida coloca em risco o patrimônio ambiental e cria expectativa indevida de exploração econômica.

O órgão informou ainda que já havia recomendado à ANM, em 2024, que não autorizasse atividades minerárias na unidade. Após a recomendação, alguns processos foram suspensos, mas a agência alegou não possuir competência para impedir definitivamente novos pedidos sem decisão da diretoria nacional.

Na ação, o MPF pede que a Justiça determine o indeferimento de todos os requerimentos minerários ainda em tramitação na Flona do Amapá e obrigue a agência a adotar mecanismos automáticos de bloqueio para impedir novos registros sobre a área.

Segundo a ANM, existem atualmente cerca de 50 processos minerários incidentes sobre a Floresta Nacional do Amapá. O MPF alerta que a exploração mineral na região pode provocar danos ambientais irreversíveis, principalmente devido aos impactos sobre a floresta e os ecossistemas protegidos.

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