Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em residências, gabinetes da Câmara Municipal de Macapá e no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen). Também foram determinadas medidas cautelares contra os investigados.
As apurações, conduzidas pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), apontam para uma suposta troca de favores entre integrantes da facção e representantes do poder público. Segundo a investigação, lideranças do grupo criminoso teriam mobilizado apoio comunitário para agentes políticos e, em contrapartida, recebido indicações para vagas de trabalho em empresas terceirizadas que prestam serviços à saúde pública e em entidades conveniadas à administração pública.
Ainda conforme a Polícia Civil, gabinetes parlamentares teriam sido utilizados para intermediar contratações de pessoas indicadas pela organização criminosa.

A investigação também identificou suspeitas de favorecimento dentro do sistema penitenciário. Entre os benefícios investigados estão a inclusão de integrantes da facção em vagas de trabalho e a remição de pena para o apontado líder máximo do grupo, que está custodiado no Iapen. Também teria sido estabelecido um canal informal de comunicação entre uma liderança externa da facção e a direção de ressocialização do sistema prisional.
Investigados são afastados de funções públicas
Como parte das medidas judiciais, um vereador foi afastado cautelarmente do mandato, com proibição de acesso à Câmara Municipal e aos sistemas do Legislativo. Um primeiro suplente também foi impedido de assumir ou exercer o mandato.
As medidas atingiram ainda o diretor do Departamento de Ressocialização e Cidadania do Iapen, afastado da função, e uma servidora da Ouvidoria da Câmara Municipal, investigada por supostamente receber currículos indicados pela facção e intermediar consultas médicas com tratamento privilegiado.

Os investigados estão proibidos de manter contato entre si, com testemunhas e com lideranças presas. Também deverão comparecer à Justiça a cada dois meses e não poderão permanecer fora de Macapá por mais de sete dias sem autorização judicial.
Investigação segue sob sigilo
Segundo a Polícia Civil, a operação é resultado de desdobramentos de investigações anteriores e busca interromper o suposto uso de estruturas públicas para beneficiar a organização criminosa.
O nome Cavalo de Troia faz referência ao episódio da mitologia grega em que um presente aparentemente inofensivo foi utilizado para permitir a entrada de soldados inimigos em uma cidade. Na investigação, a denominação representa a suspeita de infiltração da facção em estruturas da administração pública.
A operação segue sob sigilo judicial. As suspeitas ainda serão apuradas no decorrer do processo.
Diante do caso, a Câmara Municipal de Macapá divulgou uma nota pública sobre o ocorrido.





