TRE-AP adapta operação eleitoral no Bailique para garantir voto acessível e reduzir impactos ambientais

Antes mesmo da abertura das urnas, eleitores do Arquipélago do Bailique, distrito de Macapá, já se preparavam para exercer o direito ao voto. Por volta das 7h deste domingo (4), as filas começaram a se formar nos locais de votação da região, onde aproximadamente 5 mil pessoas estão aptas a participar das Eleições 2026.
Foto: TRE-AP/Divulgação
Foto: TRE-AP/Divulgação

Distribuídos em nove localidades, os eleitores contam com uma operação especial da Justiça Eleitoral, que mobiliza servidores, colaboradores, bombeiros e policiais militares. A logística foi adaptada às características geográficas das comunidades ribeirinhas, onde os rios funcionam como principais vias de acesso.

Nas primeiras horas do pleito, o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), por meio do programa Seu Voto Importa, ofereceu apoio a idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. A iniciativa contou com a participação de bombeiros e o uso de cadeiras de rodas para facilitar o deslocamento dos eleitores até as seções.

Democracia sem barreiras

A juíza Elaine Cantuária, titular da 14ª Zona Eleitoral, destacou que as condições geográficas do Bailique exigem medidas específicas para assegurar que todos possam participar da votação.

“Quando nós pensamos que, na Amazônia, as estradas são rios, nós precisamos adaptar essa realidade para que essa pessoa deficiente possa ser contemplada. Porque o voto dela é igual ao de todo mundo”, afirmou.

A operação utiliza catraias, pequenas embarcações e cadeiras de rodas para atender às necessidades dos eleitores. Segundo a magistrada, a distância e as dificuldades de acesso não podem limitar o direito à participação democrática.

“O voto de todo eleitor importa. […] Para o Tribunal Regional Eleitoral, é uma operação, sim, mas é também uma estratégia de eleição para que a democracia ocorra em todos os lugares, inclusive aqui no Bailique”, ressaltou.

A importância da participação popular também foi destacada pelo morador José Ribamar Louredo, de 57 anos, que compareceu às urnas e ressaltou o papel do voto na escolha dos representantes.

“É importante participar das eleições aqui no Bailique, assim como em todo o Brasil, porque é um momento que a gente tem para exercer a nossa cidadania”, declarou.

Ele ainda comparou a votação a uma ferramenta de avaliação dos gestores públicos: “Nós temos a tecla da urna para contratar ou demitir os nossos administradores.”

Foto: TRE-AP/Divulgação
Foto: TRE-AP/Divulgação

Eleição sustentável chega às comunidades ribeirinhas

Neste ano, o Bailique também recebe a estreia do EcoEleições, projeto-piloto do TRE-AP que busca aliar o processo democrático à preservação ambiental. A iniciativa tem como foco a proteção dos rios amazônicos e a redução dos resíduos gerados durante o pleito.

Uma das principais preocupações é o descarte de santinhos e outros materiais nos trapiches. Além da poluição, papéis e plásticos espalhados sobre passarelas molhadas podem provocar quedas e dificultar a circulação de eleitores, especialmente daqueles com mobilidade reduzida.

Para enfrentar o problema, foram instalados pontos de coleta seletiva de papel, plástico e metal. Santinhos, folhetos, garrafas PET, copos descartáveis e latas estão entre os materiais recolhidos.

Coordenadores de Sustentabilidade acompanham as atividades nas escolas eleitorais, orientam os eleitores e registram informações sobre o funcionamento da iniciativa.

Resíduos serão transportados de volta para Macapá

O EcoEleições também prevê uma operação de logística fluvial reversa. Tambores ecológicos e sacolas reforçadas foram levados da capital até as escolas eleitorais. Após a votação, os resíduos serão acondicionados e transportados de volta a Macapá para encaminhamento à reciclagem.

As equipes também preenchem fichas de acompanhamento para registrar o volume de materiais recolhidos, avaliar a logística reversa e monitorar as condições de segurança dos trapiches.

Para Elaine Cantuária, a experiência no Bailique poderá demonstrar que a realização de eleições com menor impacto ambiental é possível.

“O Bailique é o nosso projeto piloto. […] É possível a gente recolher esse lixo, dar noções de sustentabilidade, noções de ecologia, para que a população, conjuntamente com a Justiça Eleitoral, possa mostrar que uma eleição 90% sustentável é possível, com menos lixo, com menos descartes de material, com logística reversa”, afirmou.

A iniciativa reúne, assim, dois desafios da região: garantir que as condições geográficas não impeçam o exercício do voto e promover uma operação eleitoral mais acessível e sustentável nas comunidades ribeirinhas do Amapá.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política de Privacidade

Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar o conteúdo. Mais detalhes na Política de Cookies em nossa Política de Privacidade.