O levantamento, realizado em 114 escolas, representa um universo de 54,7 mil estudantes no estado. Desse total, 90,5% estão matriculados na rede pública e 9,5% na rede privada.
Além dos casos de abuso, 13,5% dos escolares relataram já ter sido obrigados a manter relação sexual contra a própria vontade. Entre as meninas, o índice chega a 18%, enquanto entre os meninos é de 8,9%. Em mais de 70% dos casos, a violência ocorreu até os 13 anos de idade.
A pesquisa também aponta que, na maioria das situações, os agressores são pessoas próximas. Familiares e conhecidos concentram a maior parte dos casos, embora também haja registros envolvendo parceiros, amigos e desconhecidos.
Álcool, drogas e comportamento de risco
O estudo evidencia ainda a exposição precoce a comportamentos de risco. Em 2024, 42,6% dos estudantes já haviam consumido bebida alcoólica, e 19,8% tiveram o primeiro contato antes dos 14 anos. Episódios de embriaguez foram relatados por 38,2%.
O uso de drogas ilícitas foi declarado por 6,1% dos estudantes, sendo que 1,8% iniciaram antes dos 14 anos. Já o consumo de cigarro foi mencionado por 15,4% dos entrevistados.
Iniciação sexual e gravidez
A iniciação sexual já ocorreu para 38,5% dos escolares. Entre esses, 59,6% usaram preservativo na primeira relação, mas 40,9% não utilizaram na última relação sexual.
Entre as meninas que já tiveram relação sexual, 7,4% relataram gravidez ao menos uma vez. O índice é significativamente maior na rede pública (7,8%) em comparação com a rede privada (0,4%).
Bullying e violência digital
A pesquisa também identificou altos índices de violência no ambiente escolar e virtual. Cerca de 29,6% dos estudantes disseram ter se sentido humilhados por colegas duas ou mais vezes nos últimos 30 dias. Entre as meninas, o percentual (33,4%) é superior ao dos meninos (25,7%).
Já 16,7% dos escolares relataram ter sofrido ameaças, ofensas ou humilhações em redes sociais ou aplicativos.
Contexto familiar
Outro dado relevante mostra que menos da metade dos estudantes (49,5%) vivem com pai e mãe. Cerca de 35,8% moram apenas com a mãe, 6,7% apenas com o pai e 7,9% não vivem com nenhum dos dois.
Sobre a pesquisa
A PeNSE é realizada pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e apoio do MEC. O estudo reúne informações sobre saúde, comportamento e fatores de risco entre adolescentes de escolas públicas e privadas, servindo como base para a formulação de políticas públicas voltadas à juventude.





