Nova molécula de ‘tripla ação’ reduz até 28% do peso e desponta como alternativa à cirurgia bariátrica, destaca congresso da ADA

A retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela Eli Lilly, foi um dos principais destaques do Congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA) 2026. Os resultados apresentados em estudos de fase 3 chamaram a atenção da comunidade médica por demonstrarem perda de peso expressiva e melhora significativa no controle do diabetes tipo 2.
(Munro/Getty Images)
(Munro/Getty Images)

Segundo os dados divulgados no evento, pacientes com obesidade e diabetes tipo 2 que utilizaram a dose mais elevada da medicação perderam, em média, 28,3% do peso corporal após 48 semanas de tratamento. O percentual se aproxima dos resultados observados em procedimentos de cirurgia bariátrica, que geralmente proporcionam redução entre 25% e 30% do peso.

Além do impacto na redução de peso, os pesquisadores observaram melhora importante nos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c), indicador utilizado para monitorar o controle do diabetes. Especialistas presentes no congresso destacaram que os resultados se aproximam daqueles alcançados por pacientes submetidos à cirurgia metabólica.

O diferencial da retatrutida está em seu mecanismo de ação. A molécula atua simultaneamente em três receptores hormonais: GLP-1, GIP e glucagon. Essa combinação promove redução do apetite, aumento da sensação de saciedade, melhora da ação da insulina e elevação do gasto energético do organismo.

Outro ponto destacado durante o congresso foi o potencial benefício além do controle do diabetes e da perda de peso. Dados preliminares indicam redução da gordura acumulada no fígado e melhora de marcadores relacionados ao risco cardiovascular. Estudos específicos para avaliar proteção cardíaca e renal seguem em andamento.

Apesar dos resultados promissores, especialistas ressaltam que a retatrutida ainda está em fase experimental e não possui aprovação para uso clínico. Os efeitos colaterais observados até o momento são semelhantes aos de outros medicamentos da mesma classe, incluindo náuseas, vômitos e diarreia, principalmente durante as primeiras semanas de tratamento.

A fabricante já iniciou o processo de avaliação junto à agência reguladora dos Estados Unidos (FDA). Caso seja aprovada ainda em 2027, a expectativa é que a medicação chegue posteriormente a outros mercados, incluindo o Brasil, após análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Para especialistas que acompanharam as apresentações da ADA 2026, a retatrutida representa uma nova geração de tratamentos capazes de combinar controle glicêmico, perda de peso significativa e possíveis benefícios cardiovasculares em uma única terapia.

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