23 de julho de 2024

Economia estável favorece emprego formal

PIB em alta, gestões no poder público eficientes, maior número de empresas assinando carteiras. A economia pós-Covid-19 sugere um Brasil e um Amapá com mais justiça social.
Momento econômico do Brasil favorece mais vagas de empregos formais. Foto: Reprodução.
Momento econômico do Brasil favorece mais vagas de empregos formais. Foto: Reprodução.

O Amapá, nos últimos anos, tem obtido resultados satisfatórios quanto à geração de emprego formal em relação a outros estados. Os números aparentam ser irrisórios, mas são significativos quando se compara a um evento trágico que foi a pandemia da Covid-19, quando empresas fecharam e o desemprego aumentou.

Em dezembro de 2022, ainda que o vírus estivesse circulando pelo país, o comportamento social havia atingido o patamar mais próximo da normalidade após dois anos de angústia e sofrimento devido à Covid-19.

Cinco meses antes daquele ano, a professora de economia do Instituto de Ensino e Pesquisa (INSPER), Juliana Inhasz, apresentou uma projeção que hoje, após quase 2 anos, vem correspondendo a realidade. Juliana, à época, avaliou que os resultados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), e de demais indicadores de emprego no Brasil, estavam mostrando uma recuperação persistente da economia.

Mostra que estamos absorvendo no lado formal, apesar de ainda ser um número baixo, quando comparado com a força de trabalho. Mas é um número importante, um número interessante. E pelo fato de que a característica desse emprego formal também tem sido persistentemente melhor”, sustentou a professora em julho de 2022.

Dois anos se passaram e a análise da professora Juliana estava correta. O setor econômico de fato persistiu, assim como o emprego formal, ocorrendo uma recuperação progressiva do Brasil e dos estados.

O AGRO IMPULSIONA O PIB

Produção, colheita e venda recordes de soja e milho ajudam a impulsionar o crescimento do PIB brasileiro. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters
Produção, colheita e venda recordes de soja e milho ajudam a impulsionar o crescimento do PIB brasileiro. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), anunciou que a atividade econômica brasileira teve uma elevação em 2,9%, o que significa que o Produto Interno Bruto (PIB) do país subiu para R$ 10,9 trilhões (U$ 2,17 trilhões).

O resultado ficou acima da expectativa do mercado, que esperava alta em torno de 2,2% no ano, de acordo com uma pesquisa da Reuters. O governo esperava alcançar o patamar de 3%, em linha com o crescimento registrado em 2022. O Boletim Focus, do Banco Central, estimava que o crescimento de 2023 não chegaria a 1%.

O maior destaque positivo, segundo o IBGE, foi a agropecuária, que cresceu 15,1% de 2022 para 2023. O bom desempenho foi puxado pela produção recorde de soja e milho, duas das mais importantes lavouras do Brasil, diz a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE Rebeca Palis.

Temos uma economia diversificada, mas agro e extrativa foram menos afetadas pela pandemia. As condições climáticas foram positivas no ano passado e os dois setores têm recebido muitos investimentos”, disse Palis ao G1.

Com o resultado, o Brasil retornou, depois de dois anos, à lista das 10 maiores economias do mundo, agora em nona posição, ultrapassando países desenvolvidos como o Canadá e a Rússia. Em 2022, a economia do país havia caído para a 13ª posição.

Segundo levantamento da Austin Rating, importante agência classificadora de riscos de crédito, a melhor posição do Brasil, na história, foi entre 2010 e 2014, quando esteve na 7ª posição.

BRASIL ESTÁVEL NO EMPREGO FORMAL

Brasil volta a figurar no top 10 das maiores economias do mundo. Arte: Poder 360 com fonte do IBGE.
Brasil volta a figurar no top 10 das maiores economias do mundo. Arte: Poder 360 com fonte do IBGE.

No Brasil, a taxa de emprego para janeiro de 2024 foi de 57,3%, o que representa uma pequena redução em comparação com o mês anterior, que registrou 57,6%. A taxa de participação na força de trabalho também teve uma leve queda, passando de 62,2% para 62,1% no mesmo período.

Além disso, o número de empregos formais criados em fevereiro de 2024 foi de 306 mil, o que indica um aumento de 38,5% em relação ao mesmo período de 2023. Ao final de fevereiro de 2024, o Brasil tinha um saldo de 45,99 milhões de empregos com carteira assinada.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em declaração ao G1, explicou que a política fiscal e monetária tem que andar na mesma direção. “Se isso continuar acontecendo, eu acredito que quando voltarmos a crescer, vai ser de forma mais estrutural. E não conjuntural. Olhando para inflação e olhando para o mercado de trabalho, olhando para todas as variáveis, nós temos um bom espaço para crescer esse ano”, disse Haddad.

O ministro ainda analisou que o governo deseja criar um ambiente de negócio necessário para que o empresário invista fortemente, “porque esse investimento é que realmente melhora as condições econômicas. Com investimento, você cresce sem risco inflacionário”.

AMAPÁ COM MAIS CARTEIRAS ASSINADAS

As estatísticas mais recentes do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), sobre o emprego com carteira assinada no Amapá, mostram um crescimento significativo. Nos dois primeiros meses de 2024, houve um aumento de 168% na geração de empregos formais em comparação com o mesmo período de 2023, com mais de 1.300 novos empregos criados.

Em janeiro de 2024, o saldo positivo foi de 1.203 vagas, resultado de 4.222 admissões e 3.019 demissões. Até fevereiro, o número de pessoas trabalhando com carteira assinada no estado chegou a mais de 86 mil.

O setor de Serviços foi o que mais contribuiu para esse crescimento, seguido pelo Comércio, Indústria e Agropecuária. A capital, Macapá, teve um aumento alvissareiro de empregos formais nos últimos três anos, com mais de 70 mil pessoas empregadas atualmente. Esses dados indicam uma tendência positiva para o mercado de trabalho formal no Amapá.

MACAPÁ: INVESTIMENTO NA CAPITAL ATRAI EMPREGO

Macapá vem passando por um desenvolvimento sem precedentes. A nova Ponte Sérgio Arruda é um exemplo das diversas novidades da cidade. De 2021 até hoje, mais de 20 mil empregos formais foram registrados na capital. Foto: Mariana Ferreira/G1
Macapá vem passando por um desenvolvimento sem precedentes. A nova Ponte Sérgio Arruda é um exemplo das diversas novidades da cidade. De 2021 até hoje, mais de 20 mil empregos formais foram registrados na capital. Foto: Mariana Ferreira/G1

O prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB), disse que o crescimento dos empregos formais também tem relação com os investimentos que vêm sendo aplicados na capital. “Quando assumimos em 2021, eram 52 mil pessoas com carteira assinada em Macapá. De lá para até então, já são 72 mil, ou seja, a prefeitura conseguiu gerar mais de 20 mil novos postos de trabalho formal”, sustentou.

A capital do Amapá, no mesmo período que Furlan citou, tem recebido muito capital parlamentar além das contrapartidas da própria prefeitura. Diversas obras já foram entregues pelo prefeito, que abrangem os setores do lazer, educação, turismo, cultura, esporte, mobilidade urbana, entre outros, com destaque para a nova Ponte Sérgio Arruda.

Essa movimentação na infraestrutura macapaense acresce na geração de emprego, mesmo os não formais. “Vivemos um ambiente favorável com a atracão de novas empresas, inclusive microempreendedores que estão empregando pessoas formalmente”, explicou o prefeito.

GOVERNO DO AMAPÁ: BIOECONOMIA IMPULSIONA TRABALHO

Bioeconomia também vem contribuindo com a economia. Insumos da floresta, como a semente de ucuúba, entre outros benefícios, também usada para a produção de sabonetes vegetais por grande empresas de cosméticos. Foto: Leandro Fonseca/Exame
Bioeconomia também vem contribuindo com a economia. Insumos da floresta, como a semente de ucuúba, entre outros benefícios, também usada para a produção de sabonetes vegetais por grande empresas de cosméticos. Foto: Leandro Fonseca/Exame

O Governo do Amapá e aliados celebraram o crescimento na geração de empregos formais particularizando suas análises à base do desenvolvimento sustentável, que é a bioeconomia brasileira, que possui imenso potencial devido à sua biodiversidade e pode contribuir significativamente para a economia, gerando empregos e inovações tecnológicas.

Ao G1, o vice-governador Teles Júnior, sustentou que “o crescimento do número de empregos é fruto dos estímulos gerados pelo governo do estado, especialmente no setor florestal, de saneamento e energia, por meio das concessões e investimentos públicos oriundos de recursos captados junto à União pela bancada parlamentar e da outorga de saneamento básico captado junto iniciativa privada”, disse o vice-governador.

EMPREGO EM ALTA, DESEMPREGO QUASE

Amapá vem gerando mais empregos formais recentemente. Progresso da capital Macapá, com novos atrativos para empresas, aliado ao desenvolvimento sustentável, ajudam na formalidade empregatícia. Foto: Reprodução
Amapá vem gerando mais empregos formais recentemente. Progresso da capital Macapá, com novos atrativos para empresas, aliado ao desenvolvimento sustentável, ajudam na formalidade empregatícia. Foto: Reprodução

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada no início de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a taxa de desemprego no Brasil para o trimestre encerrado em fevereiro de 2024 foi de 7,8%, o que representa o menor índice para o período desde 2015.

Esse valor é ligeiramente superior ao trimestre anterior, que registrou 7,5%. No mesmo trimestre de 2023, a taxa era de 8,6%, indicando uma melhoria na situação do emprego no país ao longo do ano.

A população desocupada foi estimada em 8,5 milhões de pessoas, enquanto cerca de 100 milhões estavam ativas no mercado de trabalho. A taxa de informalidade foi de 38,7%, e houve um recorde de trabalhadores com carteira de trabalho assinada, totalizando 37,99 milhões.

A PNAD-IBGE informou também que no quarto trimestre de 2023, o Amapá tinha a terceira maior taxa de desemprego do país, com 12,4%, ficando atrás apenas de Pernambuco (14,2%) e Bahia (13,4%). No quarto trimestre de 2024, a taxa de desocupação do Amapá foi de 14,2%, ainda uma das mais altas do Brasil.

Ainda de acordo com a pesquisa, 22 mil pessoas estavam à procura de emprego naquele período na capital do meio do mundo. O número aumentou 0,2% em relação ao primeiro trimestre de 2023 (12,2%) e 1,0% frente ao mesmo trimestre de 2022 (11,4%).

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