15 de julho de 2024

Mazagão Velho, a fortaleza do Rio Mutuacá, completa 254 anos e segue como referência amapaense

Com uma história rica em cultura e religiosidade, a cidade é reconhecida por transpor fronteiras, tanto físicas, quanto pedagógicas.
Mazagão Velho, um dos berços históricos do Amapá, onde, há 254 anos, é a fortaleza material e imaterial tucuju. Foto Assessoria de Imprensa Senador Davi Alcolumbre
Mazagão Velho, um dos berços históricos do Amapá, onde, há 254 anos, é a fortaleza material e imaterial tucuju. Foto Assessoria de Imprensa Senador Davi Alcolumbre

A relação que as fortificações portuguesas oferecem ao Amapá como ineditismo histórico rendem ao estado uma rica e celebrada herança cultural, apesar de uma gênese baseada em batalhas sangrentas e escravização. Mazagão Velho, que já foi Novo quando foi fundada em terras brasileiras, hoje distrito de Macapá, e que comemora 254 anos neste dia 23, é uma cidade forte em todos os sentidos.

Atual cidade de El Jadida, com seu belo forte, no Marrocos, antiga Mazagão na época da colonização portuguesa. De onde partiram os lusitanos, em 1769, rumo à Amazônia. Foto: M. Mais | Arquivo Pessoal.
Atual cidade de El Jadida, com seu belo forte, no Marrocos, antiga Mazagão na época da colonização portuguesa. De onde partiram os lusitanos, em 1769, rumo à Amazônia. Foto: M. Mais | Arquivo Pessoal.

Em 1769, Mazagão, atualmente El Jadida, cidadela fortificada em frente ao Atlântico, no Marrocos, havia sido explodida pelos portugueses quando estes se aperceberam da invasão das forças mouras marroquinas que pretendiam tomá-la em virtude de um acordo de paz com o sultão Maomé III. Mazagão, portanto, tinha sido o último resquício de colonização lusitana no Norte africano.

Paralelamente a este fato, na Vila de São José de Macapá, no Norte brasileiro, havia um diálogo robusto sobre como a Coroa Portuguesa, preocupada sobremaneira com mais uma de suas colônias, protegeria as margens do Rio Amazonas contra possíveis invasões. Eis que, em 1764, cinco anos antes da partida de aproximadas 340 famílias portuguesas e mais escravos da costa do Marrocos para a Amazônia, onde fundariam a Vila Nova Mazagão da América, estava decidida, pelo reinado português, a construção da Fortaleza de São José.

E como a História costuma navegar na construção de cortes factuais, a despedida dos portugueses que foram além-mar rumo às atuais terras amapaenses, e a estruturação da Fortaleza de São José, têm certa relação que envolve não somente o Rei Dom José I, mas, idem, o seu primeiro-ministro à época, o Marquês de Pombal.

O primeiro, autorizou ambos os contextos; o segundo, quem decidiu que o êxodo português aconteceria para a Amazônia – das 340 famílias, cerca de 160, fruto de uma divisão ocorrida na hoje cidade de Belém, através de uma embarcação chamada “Sant’Anna”, partiram para fundar a Nova Mazagão –, além de ser o supervisor das obras do forte na Vila de Macapá.

Os 254 anos de história de Mazagão Velho, portanto, se confundem, no bom sentido, com o protetor do Rio Amazonas, na recente Macapá. Em 1770, o hoje distrito da capital, abençoado por São Tiago – missionário cristão que combateu os mouros na Mauritânia – havia sido fundado 12 anos antes da inauguração da fortificação macapaense, em 1782, dia 19 de março, data de celebração a um outro santo, o São José.

Festividade de São Tiago, a principal referência de celebração cultural e religiosa de Mazagão Velho. Crédito: Gabriel Penha | Arquivo G1
Festividade de São Tiago, a principal referência de celebração cultural e religiosa de Mazagão Velho. Crédito: Gabriel Penha | Arquivo G1

Mazagão Velho, outrora uma cidadela-fortaleza lusitana na África, transferiu-se material e imaterialmente para as margens do Rio Mutuacá e juntou-se à Fortaleza de São José que margeia o rio e mar Amazonas. E, através da reconhecida festividade de São Tiago, segue delineando, na História, a força de descendentes de lusitanos, africanos e ameríndios.

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