O crescimento acompanha o período sazonal das doenças respiratórias e ocorre principalmente entre crianças e idosos, considerados os grupos mais vulneráveis às complicações provocadas por vírus respiratórios.
Segundo a enfermeira e responsável técnica do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do HEO, Bruna da Silva Nunes, o aumento já era esperado pelas equipes de vigilância e assistência devido às características da região de fronteira e à intensa circulação de pessoas no município.
“Na última semana tivemos um aumento na entrada de pacientes com síndromes gripais mais graves. O maior público tem sido crianças e idosos. Hoje, as maiores frequências identificadas são de Vírus Sincicial Respiratório e Rinovírus”, explicou.
Entre os dias 10 e 18 de maio, o hospital encaminhou 22 amostras para investigação laboratorial da circulação de vírus respiratórios. Destas, nove tiveram resultado positivo: três para Vírus Sincicial Respiratório e quatro para Rinovírus. Os demais exames seguem em análise.
O fluxo de investigação envolve o Laboratório de Fronteira (Lafron/DEVL/SVS/AP), responsável pelo recebimento, triagem, armazenamento e encaminhamento das amostras ao Laboratório Central de Saúde Pública do Amapá (Lacen/DEVL/SVS/AP), em Macapá, onde são realizados os exames para identificação dos agentes virais.
Apesar do crescimento da procura por atendimento, o hospital informa que o cenário segue controlado, sem registros de agravamento em larga escala. Atualmente, a unidade possui um paciente internado por síndrome respiratória aguda grave e outros cinco hospitalizados com quadros de pneumonia e broncopneumonia.
Aumento expressivo nas primeiras semanas de 2026
Os dados epidemiológicos apontam que o crescimento da demanda começou ainda nas primeiras semanas do ano. Na semana epidemiológica 1 de 2026, o HEO registrou 223 atendimentos por síndrome gripal, enquanto no mesmo período de 2025 foram contabilizados 85 casos, um aumento de aproximadamente 162%.
Já na semana epidemiológica 3, considerada o pico do período analisado, o hospital registrou 350 atendimentos neste ano, contra 85 no mesmo período do ano anterior.
O levantamento também identificou circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios. Nas primeiras semanas do ano, a Influenza A foi predominante entre os casos positivos detectados pelo painel respiratório da unidade.
Também foram identificados casos de Rinovírus, Adenovírus, Metapneumovírus e Covid-19.
Vacinação e prevenção seguem como principais formas de proteção
A equipe do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia reforça que a vacinação continua sendo a principal estratégia para reduzir complicações e evitar internações por doenças respiratórias.
Segundo o hospital, muitas crianças atendidas ainda não receberam a vacina contra a influenza, o que aumenta os riscos de agravamento.
“A gente vem observando que muitas crianças não foram vacinadas. Por isso, orientamos que pais e responsáveis mantenham a vacinação em dia, evitem aglomerações, utilizem máscara quando estiverem gripados e procurem rapidamente uma unidade de saúde ao surgirem sintomas respiratórios”, destacou Bruna.
Entre as orientações repassadas pelas equipes de saúde estão:
- manter a vacinação atualizada;
- higienizar frequentemente as mãos;
- utilizar máscara em caso de sintomas gripais;
- evitar contato de pessoas gripadas com crianças e idosos;
- manter crianças doentes em casa até a recuperação;
- procurar atendimento médico ao surgirem sinais de agravamento.
Fluxo hospitalar e monitoramento contínuo
O hospital destaca ainda que parte da demanda tem sido direcionada diretamente ao pronto atendimento da unidade, principalmente quando as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) não conseguem absorver totalmente os casos leves.
No HEO, os pacientes realizam testes rápidos para Covid-19 e coleta de material para painel respiratório completo. Após a coleta, as amostras seguem para o Lafron, em Oiapoque, onde passam por triagem, armazenamento e organização logística antes do envio ao Lacen, em Macapá.
Os resultados laboratoriais são liberados entre dois e sete dias, permitindo o monitoramento contínuo da circulação de vírus respiratórios no município.





